O que é Enamed, o novo exame de Medicina, e por que ele foi parar na Justiça?
Desempenho na prova será usado para atribuir sanções por mau resultado.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu mais dez investigações contra faculdades de Medicina que obtiveram notas baixas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Oito centros de ensino privados e dois municipais se tornaram alvo do MPF em fevereiro.
As novas apurações no Judiciário tramitam em quatro Estados: São Paulo, Piauí, Rondônia e Mato Grosso. O órgão abriu uma ofensiva para apurar a qualidade desses cursos em todo o País, como mostrou o Estadão.
São alvos do MPF quatro faculdades de São Paulo, três de Rondônia, duas do Mato Grosso e uma do Piauí. Em janeiro, esse grupo obteve notas 1 ou 2 no Enamed, consideradas não proficientes pelo MEC e obtidas por um terço dos cursos de Medicina do País. A pontuação máxima é 5.
Dos dez cursos investigados, oito são particulares e dois municipais: o Centro Universitário de Adamantina (SP) e o Centro Universitário de Santa Fé do Sul (SP).
Procurado, o Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto afirmou que os resultados do Enamed “não refletem de forma precisa ou completa a qualidade da formação que nossos alunos recebem”. Leia o comunicado ao fim da reportagem. Os outros centros de ensino não responderam. O espaço segue aberto. Veja a lista:
- Centro Universitário de Adamantina (SP) – nota 1;
- Centro Universitário de Santa Fé do Sul (SP) – nota 2;
- Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto (SP) – nota 2;
- Universidade Nove de Julho (SP) – nota 2;
- Centro Universitário Estácio do Pantanal (MT) – nota 1;
- Universidade de Cuiabá (MT) – nota 2;
- Faculdade Metropolitana (RO) – nota 1;
- Centro Universitário Aparício Carvalho (RO) – nota 2;
- Afya Centro Universitário de Porto Velho (RO) – nota 2;
- Afya Faculdade de Parnaíba (PI) – nota 2.
Na seara administrativa, esses institutos devem ser punidos pelo Ministério da Educação (MEC) com suspensão de vagas e restrição no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Cursos de Medicina tiveram expansão acelerada na última década Foto: Pedro Kirilos/Estadão
Investigações vão analisar parte prática dos cursos
As investigações do MPF vão apurar principalmente a qualidade do internato, os dois últimos anos do curso de Medicina que são focados no treinamento prático. Especialistas apontam que essa é uma das falhas estruturais da formação de médicos no País, apesar das mensalidades que costumam passar de R$ 10 mil nas faculdades privadas.
Nesse período, os alunos precisam atuar em hospitais sob supervisão. Com essa formação inconsistente, os profissionais entram na profissão sem noções básicas de atendimento.
89 mil alunos de Medicina fizeram a prova
Segundo o governo federal, cerca de 89 mil alunos de 351 cursos de Medicina em todo o Brasil fizeram o Enamed. Apenas 13,6% das faculdades alcançaram a nota 5 no exame, o desempenho máximo. Veja a lista:
- Nota 1: 7,1% dos cursos;
- Nota 2: 23,6% dos cursos;
- Nota 3: 22,7% dos cursos;
- Nota 4: 33% dos cursos;
- Nota 5: 13,6% dos cursos.
Como mostrou o Estadão, cursos de Medicina com mau desempenho no Enamed — notas 1 e 2 — custam ao governo federal R$ 3,7 bilhões em contratos ativos do Fies. Há 14 mil contratos do Fies de alunos matriculados nessas faculdades.
Leia o comunicado do Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
“Essa é uma ação do Ministério Público Federal que pretende verificar a condição de quase 300 cursos de medicina em todo o País, e não algo exclusivo em Ribeirão. Além disso, essa portaria trata-se de procedimento administrativo de acompanhamento, sem caráter punitivo ou qualquer impacto nas atividades do curso. Eventuais apontamentos estão sendo tratados pela instituição e devidamente esclarecidos junto ao órgão regulador responsável.
Em relação ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), ele é um instrumento importante para a evolução contínua da qualidade do ensino. Em 2025 foi aplicada a primeira edição do exame e, entre outras conclusões, identificamos a necessidade de ajustes técnicos no indicador e no processo de engajamento dos estudantes.
Essas dificuldades são compreensíveis em primeiras edições de exames nacionais. Em Ribeirão, cerca de dois terços dos pouco mais de cem alunos que participaram do exame ainda estão no 11º período, não tendo concluído o internato, que é uma etapa fundamental do curso de Medicina. Talvez mais importante, são alunos que ainda não estão focados nos exames externos, e sabemos que isso influencia o resultado final de maneira significativa.
Quanto aos resultados em si, podemos afirmar, com tranquilidade e segurança, que eles não refletem de forma precisa ou completa a qualidade da formação que nossos alunos recebem. A instituição possui conceito 4 no ciclo regular de avaliação pelo MEC, um padrão elevado de qualidade.”
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