Em discurso numa conferência imobiliária em Tel Aviv, o ministro destacou que a oportunidade “se paga” e que ele “já iniciou negociações com os americanos”.
— Pagamos muito dinheiro por esta guerra. Precisamos ver como vamos dividir a terra em porcentagens. A demolição, a primeira etapa da renovação da cidade já foi feita. Agora precisamos construir — afirmou Smotrich. — Há um plano de negócios, elaborado pelas pessoas mais profissionais daqui, que está na mesa do presidente [dos EUA, Donald] Trump.
A declaração vai contra o que foi defendido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na declaração de mais cedo, em que classificou a UE como uma firme defensora da solução de dois Estados. Von der Leyen havia mencionado as recentes ações do governo israelense na Cisjordânia, com a ampliação de acampamentos judaicos.
“Os eventos horríveis que ocorrem diariamente em Gaza devem acabar. É necessário um cessar-fogo imediato, acesso irrestrito a toda a ajuda humanitária e a libertação de todos os reféns mantidos pelo Hamas”, declarou a presidente em comunicado nas redes sociais após a proposição de sancionar ministros israelenses e suspender as concessões comerciais a Israel.
Também nesta quarta-feira, Israel anunciou a abertura de uma nova rota de passagem temporária para permitir a fuga de civis palestinos da Cidade de Gaza, um dia após o início da esperada grande ofensiva por terra para eliminar o grupo terrorista Hamas. Segundo a AFP, um grande número de palestinos foi visto fugindo da cidade por qualquer meio, enquanto o Exército israelense continuava sua ofensiva terrestre, matando dezenas em ataques.
A ONU estima que a Cidade de Gaza era o lar de quase um milhão de pessoas até o fim de agosto. A nova ofensiva, porém, provocou mais um êxodo palestino nos últimos dias — embora muitas pessoas tenham dito que não pretendem sair da cidade, por considerar que não existe lugar seguro no enclave.
Na terça-feira, a Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU, que reúne investigadores, mas não fala em nome das Nações Unidas, afirmou que “um genocídio está acontecendo em Gaza”, citando o deslocamento forçado de pessoas como um dos elementos avaliados. Israel rejeitou o relatório, acusando-o de ser “tendencioso e mentiroso”, além de usar dados do Hamas. O governo israelense também pediu uma dissolução “imediata” da comissão investigadora.
Esta não é a primeira vez que Smotrich faz planos pela anexação do enclave ao território israelense. Em agosto, o ministro disse em entrevista que estava trabalhando para restabelecer os antigos assentamentos israelenses de Ganim e Kadim, no norte da Cisjordânia, ambos evacuados e desmantelados durante a retirada de Israel em 2005.
Numa conferência intitulada “A Riviera de Gaza – da visão à realidade”, em julho, ele afirmou que Gaza se tornaria uma “parte inseparável do Estado de Israel” e que sua visão tem o apoio do presidente americano Donald Trump. Em maio, ele havia garantido que o plano era deixar Gaza “totalmente destruída” e deslocar os palestinos para uma faixa de terra na região sul.
Em fevereiro, Trump disse que os EUA tomariam Gaza, realocariam seus moradores e a transformariam na “Riviera do Oriente Médio”. Os planos do presidente americano foram rejeitados pelos palestinos e pela maior parte da comunidade internacional, além de autoridades de ambos os partidos nos EUA.
Segundo o jornal americano Washington Post, a proposta continua de pé. Em reportagem publicada no fim de agosto, o jornal confirmou que Trump está considerando uma proposta para a reconstrução de Gaza após a guerra. O projeto prevê colocar a Faixa de Gaza sob controle americano por uma década e pagar cerca de um quarto da população palestina para se mudar, muitos deles permanentemente.
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