No final, não houve acordo, mas uma oportunidade de foto: uma imagem bem coreografada do presidente Donald Trump não apenas recebendo o presidente russo, Vladimir Putin, mas também estendendo o tapete vermelho, o símbolo agora universal de fama, ostentação e pompa.
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Os dois homens apertaram as mãos e então caminharam até a limusine de Trump, em ternos escuros complementares, camisas brancas e gravatas combinando (vermelha para Trump, bordô para Putin), dando a impressão de espíritos semelhantes: apenas dois estadistas se encontrando no terreno semineutro de uma pista de aeroporto para conversar sobre um cessar-fogo, com seus respectivos aviões ao fundo.
Essa é a imagem que foi capturada pelas câmeras, e essas são as fotos que circularam pelo mundo para acompanhar as reportagens da reunião improdutiva. Na ausência de uma resolução concreta para a invasão da Ucrânia, elas se tornaram a solução. Porque, independentemente do que acontecesse depois, uma foto poderia ser vista publicamente — e interpretada — como um endosso implícito.
Afinal, o presidente russo tem sido um pária no Ocidente desde sua invasão em larga escala da Ucrânia, acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional. Independentemente de Trump ter sido duro com ele a portas fechadas, o que foi preservado para a posteridade é a admissão de Putin de volta ao grupo.
Entre todos os líderes mundiais, o único que entende e aproveita o poder da imagem de forma tão eficaz como o presidente dos EUA, Donald Trump, é o líder da Rússia, Vladimir Putin. Os dois homens se tornaram caricaturas através de modos e cenografias, de maneira a melhor capturar a imaginação popular.
Trump fez isso com sua linha de produtos Maga (sigla em inglês para “Faça os EUA Grandes Novamente”), suas roupas nas cores da bandeira americana, azul, vermelho e branco (um código de vestimenta usado também por membros de seu Gabinete, assim como por republicanos no Congresso), seu cabelo e seu estilo moldado pelo showbiz.

Putin fez isso com sessões de foto orquestradas, aquelas que o capturaram enfrentando bravamente a neve na Sibéria, abraçando um urso polar, caçando sem camisa. As imagens podem parecer uma bobagem, ao menos se vistas de fora, mas isso não as torna menos eficazes. Ou incapazes de conseguir algumas manchetes.

O fato de Vladimir Vladimirovich Putin ter encontrado Trump, que vestia seu tradicional uniforme, foi uma declaração à sua própria maneira. A guerra na Ucrânia tem sido, em parte, uma guerra travada em imagens na busca pelo apoio da imaginação global; por isso, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, faz questão de se vestir de forma a mostrar solidariedade com suas forças sempre que fala no exterior, seja no Congresso dos EUA ou a União Europeia. Também por isso, sua esposa, Olena Zelenska, apareceu na capa da revista Vogue em julho de 2022.

Ao trajar terno e gravata no Alasca, Putin se apresentou como alguém igual a Trump, e traçou outra linha para diferenciá-lo de Zelensky, que em fevereiro “ofendeu” o líder americano a usar seu figurino militar na Casa Branca.

Aquele aperto de mão na base militar no Alasca — que se estendeu por algum tempo e envolveu alguns tapinhas amistosos — foi a pantomima da aceitação dessa ideia. E a foto se tornou uma lembrança para todos.
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