O empresário chinês Bao Fan, fundador do banco de investimento China Renaissance, teria sido libertado após mais de dois anos sob custódia das autoridades chinesas. A informação foi publicada nesta sexta-feira (8) pelo jornal chinês Caixin, com base em fontes não identificadas. Até o momento, no entanto, não houve qualquer confirmação oficial da libertação nem declaração pública do próprio executivo.
Considerado um dos nomes mais influentes do setor financeiro da China, Bao desapareceu em fevereiro de 2023, aos 52 anos, em meio a uma onda de desaparecimentos de executivos de alto escalão no país. Na ocasião, o Economic Observer, veículo estatal, informou que ele estava sendo investigado pela Comissão Central de Inspeção Disciplinar, o principal órgão de combate à corrupção da China, sob suspeita de envolvimento em um esquema de suborno empresarial.
Meses depois, em agosto de 2023, fontes consultadas pela Reuters indicaram que Bao colaborava com as autoridades em uma investigação contra um ex-colega. Desde então, nenhuma informação oficial foi divulgada sobre sua detenção, o andamento das investigações ou sua condição atual.
Em comunicado à Bolsa de Valores de Hong Kong, o China Renaissance anunciou, à época, que Bao havia deixado formalmente os cargos de presidente e CEO do banco “por motivos de saúde e para se dedicar à família”. A empresa, no entanto, não comentou as alegações de detenção ou envolvimento em investigações anticorrupção.
De acordo com a CNN, o desaparecimento de Bao Fan se soma a uma lista crescente de bilionários e executivos chineses que desapareceram repentinamente nos últimos anos, muitos deles relacionados à campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi Jinping. A operação, lançada com o objetivo de reprimir práticas consideradas irregulares nos setores de tecnologia, educação e mercado imobiliário, tem sido usada também para reforçar o controle político sobre o setor privado.
Entre os casos mais emblemáticos estão o de Jack Ma, fundador da gigante de e-commerce Alibaba, que ficou fora dos holofotes por cerca de três meses em 2020 após críticas a reguladores financeiros chineses. Em 2017, o bilionário Xiao Jianhua foi retirado de um hotel em Hong Kong por agentes chineses e condenado a 13 anos de prisão por corrupção em 2022. Já em 2023, o ex-vice-presidente do Banco Industrial e Comercial da China, Zhang Hongli, passou a ser investigado por “sérias violações” da lei e da disciplina partidária.
Segundo a Bloomberg, centenas de executivos e funcionários do setor financeiro têm sido alvos de ações disciplinares nos últimos anos, enquanto o governo impõe cortes salariais e limitações de benefícios com o objetivo de promover a chamada “prosperidade comum”, política que visa reduzir desigualdades econômicas e reafirmar o controle estatal sobre setores estratégicos.
No mês passado, um executivo sênior da Wells Fargo & Co. foi impedido de deixar o território chinês durante outra investigação, o que reforça o clima de incerteza e vigilância em torno de grandes nomes do setor financeiro no país.
Apesar das novas informações divulgadas pela imprensa chinesa, nem o China Renaissance, nem o Ministério da Segurança Pública da China responderam aos pedidos de comentário enviados pela Reuters e pela Bloomberg. Também não há confirmação oficial de que Bao Fan esteja, de fato, em liberdade.
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