A Bitmain Technologies, a maior fabricante mundial de hardware para mineração de criptomoedas, planeja abrir a primeira unidade nos Estados Unidos nos próximos meses, uma mudança estratégica impulsionada pelo boom “Made in America” em ativos digitais.
A empresa pretende inaugurar oficialmente uma nova sede e linha de montagem no Texas ou na Flórida até o final do terceiro trimestre. A produção inicial está prevista para o início de 2026, com operação em larga escala ainda naquele ano, de acordo com Irene Gao, diretora global de negócios da Bitmain.
A medida reflete a onda renovada da política industrial americana, que privilegia a produção doméstica e a demanda operacional. À medida que Washington remodela as cadeias de suprimentos em torno das políticas industriais nacionais, a mineração de criptomoedas — antes uma atividade marginal — se junta à lista de setores estratégicos, como semicondutores e energia.
A Bitmain espera que a produção local acelere as entregas e reparos para clientes dos EUA, disse Gao. Os custos de mão de obra são mais altos, mas a medida ainda faz sentido comercial — especialmente diante da incerteza em torno das tarifas, acrescentou ela.
A pressão dos EUA pela supremacia do Bitcoin representa “uma oportunidade única”, disse em uma entrevista Gao, presidente de mineração e diretora global de negócios da Bitmain.
A Bitmain detém uma fatia significativa do mercado de computadores usados para a mineração de criptomoedas, mas a guerra comercial do presidente americano Donald Trump interrompeu os negócios da empresa no país. As remessas da empresa sediada em Pequim foram retidas devido ao aumento da fiscalização da alfândega e proteção de fronteiras. Em janeiro, o departamento de comércio dos EUA colocou na lista negra a afiliada de inteligência artificial da Bitmain, ao acusar a empresa de “agir a mando de Pequim” para promover os objetivos da China de produção nacional de chips avançados.
Para complicar ainda mais a situação, Trump prometeu na campanha eleitoral concentrar a atividade de mineração de Bitcoin nos EUA. A Bitmain anunciou a instalação de uma unidade nos EUA cerca de um mês após a vitória dele nas eleições em novembro de 2024, sem revelar o local.
Gao disse que a Bitmain pretende contratar 250 funcionários locais na primeira fase para serem treinados tanto para a manufatura quanto para manutenção no local.
Mineradores de Bitcoin usam computadores especializados para resolver problemas matemáticos a fim de verificar transações em blockchain e receber recompensas. É um mercado que a Bitmain domina desde 2013, apesar das mudanças significativas na composição da indústria de energia intensiva.
Agora, porém, com as cadeias de suprimentos chinesas sob pressão e as empresas de criptomoedas dos EUA com maior influência política, a Bitmain busca garantir acesso ao mercado americano. Os EUA são considerados o epicentro global do setor de mineração de criptomoedas, após uma proibição da atividade na China. Mineradores americanos de capital aberto — como a Mara Holdings, a Riot Platforms e a CleanSpark — somam valor de mercado de dezenas de bilhões de dólares.
Ainda não se sabe quais obstáculos a Bitmain poderá encontrar ao tentar se estabelecer nos EUA. Os mineradores chineses de Bitcoin que operam nos EUA enfrentaram escrutínio diante de preocupações sobre segurança nacional durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Os reguladores dos EUA não esclareceram se o hardware de criptomoedas estará sujeito às mesmas verificações de exportação aplicadas aos chips de inteligência artificial.
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