
Virginia depôs na CPI das Bests. Para relatora, influenciadora fez propaganda enganosa e praticou estelionato com jogos.Lula Marques/Agência Brasil
A CPI das Apostas Esportivas, conhecida como CPI das Bets, foi encerrada nesta quinta-feira (12) com a rejeição do relatório final apresentado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). Em uma reunião esvaziada, o texto foi derrotado por 4 votos a 3, encerrando os trabalhos sem envio formal de recomendações a órgãos de controle e sem aprovação de medidas legislativas. A comissão tinha 11 titulares.
Apesar do revés, Soraya anunciou que encaminhará o conteúdo do relatório diretamente ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao Ministério da Fazenda, além de autoridades como o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o presidente Lula.
A relatora pedia o indiciamento de 16 pessoas e duas empresas. Entre os alvos da senadora estavam as influenciadoras digitais Virginia Fonseca e Deolane Bezerra, suspeitas de propaganda enganosa e estelionato, entre outros crimes.
Votaram para derrubar o relatório de Soraya:
- Efraim Filho (União-PB)
- Angelo Cornel (PSD-BA)
- Eduardo Gomes (PL-TO)
- Professora Dorinha Seabra (União-TO)
Votaram a favor do relatório, além de Soraya Thronicke: Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE)
O relatório também propunha a adoção de 20 medidas para combater os efeitos nocivos das apostas on-line, entre elas:
- Proibição de jogos semelhantes a caça-níqueis, como o chamado Jogo do Tigrinho (sem afetar apostas esportivas em tempo real);
- Impedimento para que pessoas inscritas no CadÚnico, de baixa renda, possam apostar pela internet.
Deolane e Virginia
O parecer de Soraya apontava irregularidades graves envolvendo influenciadores com milhões de seguidores. Deolane Bezerra, por exemplo, foi acusada de lavagem de dinheiro, estelionato, organização criminosa e exploração de jogos ilegais ao divulgar a plataforma Zeroumbet, considerada clandestina pela CPI.
Segundo a relatora, Deolane deu aparência de legalidade a uma operação criminosa, movimentou R$ 5 milhões em empresas de fachada e promoveu apostas como se fossem autorizadas pelo governo.
Já Virginia Fonseca admitiu ter promovido apostas simuladas em redes sociais, o que o relatório classificou como propaganda enganosa e estelionato. Soraya destacou que Virginia induziu seguidores a acreditar em ganhos fictícios, mascarando os riscos reais do jogo.
Outras pessoas e empresas
Além das influenciadoras, a lista de pedidos de indiciamento incluía:
- Marcus Vinicius Freire de Lima e Silva: lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e tráfico de influência;
- Adélia de Jesus Soares, Daniel Pardim, Leila Pardim: lavagem de dinheiro e organização criminosa;
- Ana Beatriz Barros, Jair Machado Jr., José Saturnino, Marcella Oliveira, Gilliard Oliveira: todos ligados à operação da Zeroumbet;
- Pâmela Drudi: promoção enganosa de apostas;
- Erlan e Fernando Oliveira Lima, Toni Rodrigues: ligados a empresas de fachada e movimentações financeiras suspeitas;
- Bruno Viana Rodrigues: lavagem, organização criminosa e exploração de jogos.
Soraya também sugeria o indiciamento das empresas:
- BRAX Produção e Publicidade acusada de ser fachada para lavar dinheiro em eventos esportivos;
- Paybrokers suspeita de intermediar pagamentos entre apostadores e casas ilegais, facilitando evasão fiscal.
“Faroeste digital”
Mesmo com a rejeição formal, Soraya defende que a CPI cumpriu papel fundamental ao reunir provas consistentes de irregularidades no setor de apostas on-line, que teria movimentado até R$ 129 bilhões em 2024.
“O Brasil virou um faroeste digital das apostas. Essa CPI é um freio de arrumação para proteger famílias, consumidores e a ordem econômica”, afirmou a senadora.
Entre os argumentos do parecer, Soraya destaca a falta de fiscalização estatal, abusos cometidos por influenciadores e impacto financeiro sobre famílias vulneráveis. Ela lamentou o encerramento da CPI sem aprovação do relatório, mas garantiu que as provas colhidas não serão descartadas e servirão de base para futuras investigações criminais e administrativas.
“Não podemos nos omitir diante de tudo o que foi apurado. Tive acesso a provas graves, que indicam claramente a ocorrência de crimes. Tenho a obrigação de seguir com esse trabalho e não deixarei que tudo isso seja engavetado. O Brasil sabe que a CPI não acabou em pizza. E eu não sou pizzaiola”, afirmou Soraya.
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