Um incidente ocorrido na manhã desta terça-feira (1º) na UPA Coronel Antonino, em Campo Grande (MS), mobilizou a Polícia Militar e gerou tumulto entre profissionais de saúde e usuários da unidade. O pai de uma criança de 10 anos, atendida por hemorragia nasal e vômitos, registrou um boletim de ocorrência acusando omissão de socorro por parte da equipe médica. A situação escalou ao ponto de policiais tentarem prender a médica responsável pelo atendimento.
Ao Campo Grande News, Rosimeire Farias, vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Simed-MS), disse que o pai da criança se irritou ao ser informado de que não havia vaga na enfermaria para a internação da filha. Após deixar o local para registrar a denúncia, ele retornou acompanhado por policiais militares. Ao chegarem à unidade, os agentes deram voz de prisão à médica que havia prestado o atendimento.
De acordo com Rosimeire, a ação da PM foi marcada por autoritarismo. “Chegaram aqui dentro com autoritarismo e queriam chamar a gerente. Pediram para ela ir até eles, mas ela pediu que fossem até sua sala. A resposta foi negativa, e disseram que, se ela não fosse, dariam voz de prisão para a gerente”, relatou.
Durante a abordagem, policiais verificaram as salas da unidade para confirmar se os profissionais estavam em atendimento. A gerente da UPA, temendo novos conflitos com os pacientes, suspendeu temporariamente alguns atendimentos – com exceção da sala vermelha e da enfermaria. “O atendimento foi retomado imediatamente, não houve grande intervalo sem assistência”, afirmou a representante do Simed.
A médica acusada de omissão, segundo o sindicato, chegou a providenciar uma cadeira para a mãe da criança aguardar com mais conforto. O setor jurídico do Simed também se manifestou. Márcio Almeida, representante da entidade, criticou a conduta dos policiais. “A polícia deveria primeiro buscar a gerência para evitar prejuízo no atendimento à população. Caso contrário, pode sair do controle, como foi o caso.”
Almeida sugeriu a criação de um protocolo de atuação junto à Secretaria de Segurança Pública, para que denúncias como essa sejam tratadas com diálogo entre a PM e a gerência da unidade antes de medidas coercitivas.
População relata atrasos
Usuários da UPA relataram atrasos no atendimento em razão do tumulto. Daiane Nunes, que acompanhava o marido com uma luxação, disse que a triagem foi mantida, mas os atendimentos ficaram comprometidos. “Eles estavam atendendo dois por vez, mas depois da confusão só faziam triagem. A gerente explicou que não precisava chamar a polícia, que era uma UPA”, relatou.
Outra usuária, Bárbara de Oliveira, acompanhava a sobrinha e contou que, após a chegada da PM, a sala de medicação ficou fechada. “Começaram a aparecer médicos e residentes quando a polícia chegou. Estavam procurando uma médica que ia ser detida”, afirmou.
Secretaria nega omissão
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande informou que não houve omissão de socorro. A pasta afirmou que a criança foi atendida e encaminhada para observação na enfermaria, mas não havia leitos disponíveis para internação imediata.
“Foi solicitado que a paciente aguardasse enquanto a médica responsável buscava um leito. O pai, insatisfeito, foi registrar boletim de ocorrência. Contudo, antes mesmo de seu retorno à unidade, a criança já estava medicada”, diz o comunicado.
A Secretaria ainda reforçou que a equipe médica atuou de acordo com os protocolos e que os atendimentos foram normalizados na unidade após o episódio.
*Com informações do Campo Grande News
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