O Brasil registra, em média, 66 mil desaparecimentos por ano, um número alarmante e subnotificado. Para enfrentar essa realidade, a Universidade de Brasília (UnB) inaugura, na próxima quinta-feira (28/3), o Observatório de Desaparecimento de Pessoas no Brasil. O projeto, coordenado pela professora Simone Rodrigues Pinto, busca compreender melhor as causas e circunstâncias dos desaparecimentos, permitindo a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Em entrevista ao Podcast do Correio, Simone afirmou que, diariamente, cerca de 211 boletins de ocorrência de desaparecimento são registrados no país. “É um problema que continua nos dias atuais”, apontou. No entanto, o fenômeno ainda recebe pouca atenção: “Às vezes, fica de lado a discussão sobre o desaparecimento, porque para um familiar é um luto eterno”, enfatizou.
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O observatório pretende analisar as diferentes dinâmicas dos desaparecimentos, como os casos ligados à violência contra mulheres, à população LGBTQIA+, a conflitos fundiários e ao tráfico humano. “A gente tem ideia de que muitos desaparecimentos ocorrem por ocultação de feminicídio”, destacou a coordenadora.
Assista ao programa na íntegra:
Cruzamento de dados
Simone comentou também sobre a importância de um melhor cruzamento de dados entre órgãos estaduais e federais para tornar mais eficiente a busca por desaparecidos. “O principal gargalo é essa conversa entre órgãos, dentro do próprio estado, quanto mais entre estados”, disse.
A iniciativa visa ainda fortalecer medidas como o cadastro nacional de DNA para identificação de corpos, já implementado pelo governo federal.
*Estagiária sob supervisão de Andreia Castro
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