Um surto de uma doença ainda desconhecida está causando pânico na República Democrática do Congo, na região central do continente africano, e gerando preocupação global. Tudo começou, pelo que se sabe até o momento, com três crianças comendo um morcego e morrendo 48 horas depois de apresentar os primeiros sintomas da moléstia. Agora, mais de 50 pessoas perderam a vida na cidade de Bikoro, a 528 km da capital do país, e o número de vítimas do quadro já supera 400.
A doença misteriosa causa febre, vômito e hemorragia interna, tendo evolução rápida. Autoridades locais suspeitaram de infecções virais que cursam com sintomas de febre hemorrágica, caso de ebola, marburg, dengue e febre amarela. Contudo, testes em amostras de pacientes descartaram a presença de vírus conhecidos, embora algumas tenham dado positivo para malária.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já foi notificada e especialistas locais seguem com a investigação. “Essa região do Congo está sujeita a uma grande variedade de doenças infecciosas, como malária e febre amarela, mas o que preocupa demais é essa história de o contágio ter começado após a ingestão de carne de morcego”, avalia o infectologista e patologista Celso Granato, da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.
Sabe-se que morcegos são reservatórios de uma infinidade de vírus, alguns deles com potencial zoonótico, ou seja, capazes de “pular” entre espécies e afetar o ser humano. Tudo leva a crer que a própria covid teve sua origem dessa forma.
A alta circulação de patógenos entre espécies diferentes pode propiciar mutações que tornam a invasão às células humanas mais viável e até mesmo pavimentar o aparecimento de novas linhagens virais. São hipóteses que rondam o surgimento da doença misteriosa no Congo.
No fim do ano passado, depois de enfrentar uma variante mais agressiva da mpox, o país africano sofreu com um surto até então indefinido que matou mais de 30 pessoas. Depois, as investigações concluíram tratar-se de malária.
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Carne de morcego
Sabe-se que habitantes de algumas regiões da África e da Ásia consomem carne de morcego e de outros animais silvestres e selvagens. “Se houvesse um vírus muito estranho ao corpo humano na carne de um morcego e ele conseguisse acessar o organismo de quem o consumiu, até poderia gerar uma resposta muito rápida e mortal, mas será preciso estudar melhor o episódio, inclusive para entender como essas crianças contaminadas teriam transmitido o patógeno a outras pessoas”, diz Granato.
O caso, portanto, segue em aberto, demandando medidas de vigilância extrema.
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